terça-feira, 3 de junho de 2014

Bebês com três pais serão possíveis daqui a dois anos, dizem cientistas

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2014/06/bebes-com-tres-pais-serao-possiveis-daqui-dois-anos-dizem-cientistas.html

03/06/2014 18h18 - Atualizado em 03/06/2014 18h18

Bebês com três pais serão possíveis daqui a dois anos, dizem cientistas

Em testes finais no Reino Unido, técnicas usam óvulo de doadora para prevenir doenças fatais em recém-nascidos.

Da BBC

Um em cada 6,5 mil bebês nasce com deficiência nas mitocôndrias, células que fornecem energia ao corpo (Foto: Reuters/BBC)Um em cada 6,5 mil bebês nasce com deficiência nas mitocôndrias, células que fornecem energia ao corpo (Foto: Reuters/BBC)
Cientistas britânicos dizem que, em mais dois anos, será possível que um bebê tenha o material genético de duas mães e um pai.
A técnica está sendo desenvolvida como uma forma de prevenir doenças fatais causadas por danos às mitocôndrias, células passadas da mãe para o bebê e que fornecem energia para o organismo.
Um em cada 6,5 mil bebês nasce com sérios problemas mitocondriais. Sem energia suficiente, eles apresentam musculatura fraca, cegueira e problemas cardíacos. Em alguns casos, a condição pode levar ao óbito.
Autoridades britânicas já estudam mudanças nas lei a fim de regulamentar as técnicas de fertilização para tornar esta prática legal. Esses especialistas dizem não haver evidências de que os dois métodos em estudo sejam inseguros, mas novos testes ainda devem ser feitos.
Testes finais
Cientistas reunidos pela Autoridade em Embriologia e Fertilização Humana (HFEA, na sigla em inglês), do Reino Unido, avaliaram duas técnicas que usam o material genético de três pessoas - do pai e da mãe do bebê, além de uma segunda mulher com mitocôndrias saudáveis.
"Tudo aponta que a direção que estamos seguindo é segura, mas não sabemos o que há depois da esquina. Por isso, somos cuidadosos", disse um dos cientistas convocados pela HFEA, Robin Lovell-Badge, do Conselho de Pesquisa Médica.
Em seu relatório, a HFEA requisitou testes finais antes que as duas técnicas em pesquisa sejam colocadas em prática.
Serão verificados o risco para a criança e se é melhor usar células reprodutivas humanas, como óvulos e esperma, ou embriões.
"Acho que (dois anos) não é uma estimativa ruim", afirma Lovell-Badge. "É o tempo que levaremos para realizar os experimentos adicionais."
O cientista Andy Greenfield, que liderou o grupo de pesquisadores reunidos pela HFEA, disse que avaliar a segurança do método "não é tão simples".
"Só saberemos se estas técnicas são seguras para humanos até as testarmos de fato em humanos e tivermos o nascimento de um bebê saudável", afirmou.

A lagarta que 'acha' que é cobra

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2014/06/a-lagarta-que-acha-que-e-cobra.html

03/06/2014 08h21 - Atualizado em 03/06/2014 08h21

A lagarta que 'acha' que é cobra

A 'Hemeroplanes sp' camufla-se para assustar seus predadores.

Da BBC
Parece uma cobra, mas não é. Esta lagarta (Hemeroplanes sp) da Costa Rica camufla-se inteligentemente para assustar predadores (Foto: Daniel Janzen/Caters)Parece uma cobra, mas não é. Esta lagarta (Hemeroplanes sp) da Costa Rica camufla-se inteligentemente para assustar predadores (Foto: Daniel Janzen/Caters)
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A lagarta Hemeroplanes sp, da Costa Rica, não se transforma apenas em larva e em mariposa. Ela também camufla-se inteligentemente como uma cobra para assustar seus predadores. Apesar da semelhança com o outro animal, porém, seu corpo é curto, o que causa estranhamento.
O professor Daniel Janzen, biólogo da Universidade da Pensilvânia, capturou essas imagens como parte de seu trabalho sobre lagartas na América Central, que realiza desde 1978.
'Cada lagarta na Costa Rica parece uma outra coisa - seja uma folha, galho ou, neste caso, uma cobra deslizando', disse ele.
Apesar de parecer uma cobra, seu corpo curto causa estranhamento. O professor Daniel Janzen, da Universidade da Pensilvânia, capturou essas imagens como parte de seu trabalho sobre lagartas na América Central (Foto: Daniel Janzen/Caters)Apesar de parecer uma cobra, seu corpo curto causa estranhamento. O professor Daniel Janzen, da Universidade da Pensilvânia, capturou essas imagens como parte de seu trabalho sobre lagartas na América Central (Foto: Daniel Janzen/Caters)
"Ao longo dos anos tenho visto e fotografado tantos tipos diferentes de insetos que eu nunca me surpreendo, mas eles sempre me interessam", disse o biólogo (Foto: Daniel Janzen/Caters)"Ao longo dos anos tenho visto e fotografado tantos tipos diferentes de insetos que eu nunca me surpreendo, mas eles sempre me interessam", disse o biólogo (Foto: Daniel Janzen/Caters)

Machismo torna furacões com nome de mulher mais letais, aponta estudo

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/machismo-torna-furacoes-com-nome-de-mulher-mais-letais-aponta-estudo.html

03/06/2014 07h58 - Atualizado em 03/06/2014 08h38

Machismo torna furacões com nome de mulher mais letais, aponta estudo

Pessoas duvidam do potencial do fenômeno quando o nome é feminino.
Total de mortes é até três vezes maior, de acordo com cientistas.

Do G1, em São Paulo
Imagem de satélite mostra o furacão Sandy sobre a Costa Leste dos EUA, em 30 de outubro de 2012 (Foto: AP)Imagem de satélite mostra o furacão Sandy sobre a Costa Leste dos EUA, em 30 de outubro de 2012 (Foto: AP)
Os furacões com nomes femininos podem matar três vezes mais porque as pessoas os percebem como menos ameaçadores do que as tempestades com nomes masculinos.
A conclusão foi obtida por cientistas, que publicaram seus resultados na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS". O estudo abrangeu mais de seis décadas de furacões atlânticos.
Esses fenômenos são nomeados segundo uma ordem pré-determinada e alternada que não tem nada a ver com a força da tempestade. Os cientistas desenvolveram este sistema nos anos 1970 para evitar uma percepção influenciada por gênero.
Pesquisadores da Universidade de Illinois analisaram dados sobre as fatalidades relacionadas a cada furacão que tocou a terra nos EUA entre 1950 e 2012.
"Comparativamente, estima-se que um furacão com nome masculino cause 15,15 mortes, enquanto se calcula que um furacão com nome feminino cause 41,84 mortes", destacou o estudo. "Em outras palavras, nosso modelo sugere que mudar o nome de um furacão severo de Charley para Eloise pode triplicar sua letalidade", acrescentou.
Katrina ficou de fora da análise
Os cientistas desconsideraram duas grandes tempestades em suas análises - os furacões Katrina (2005) e Audrey (1957) - porque mataram um grande número de pessoas e poderiam distorcer os resultados. "Ao julgar a intensidade de uma tempestade, as pessoas parecem aplicar suas crenças sobre o comportamento masculino e feminino", explicou o coautor do estudo, Sharon Shavitt, professor de marketing.
"Com isto, um furacão com nome de mulher, especialmente um com um nome muito feminino, como Belle ou Cindy, parece mais suave ou menos violento", prosseguiu. "Esta é uma descoberta muito importante", disse Hazel Rose Markus, professor em ciência comportamental na Universidade de Stanford, que não participou do estudo. "Isto demonstra que nossas associações com base cultural determinam nossos passos", prosseguiu.
Antes da decisão de dar nomes alternados feminino e masculino, os furacões só recebiam nome de mulher, uma prática surgida da crença de que as tempestades, assim como as mulheres, seriam imprevisíveis.

Como nasce um furacão e como funciona sua categorização?
29 de outubro  - Skyline de Manhattan sob blecaute durante passagem de Sandy (Foto: Reuters)Outubro de 2012 - Skyline de Manhattan sob blecaute durante passagem de Sandy (Foto: Reuters)
O meteorologista Marcelo Schneider, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que o fenômeno climático é resultado da combinação de alta temperatura na superfície do oceano, elevada quantidade de chuvas e queda da pressão do ar (sistema que favorece uma subida mais rápida do ar e uma constante evaporação da água do mar).
"Esse sistema costuma se formar em áreas próximas à Linha do Equador. Sem ventos inicialmente, o calor do oceano (2 ºC a 3 ºC acima do normal) provoca uma evaporação rápida da água, formação de nuvens e de chuva. Com a precipitação, a temperatura ao redor da nuvem aquece e provoca uma queda da pressão atmosférica na superfície do mar. Na prática, isso provoca ventos favoráveis à formação de chuva", disse.

Ele explica ainda que, com a queda da pressão do ar, os ventos se intensificam e começam a se movimentar no oceano (em espiral), podendo atingir o continente.
Categorias de furacões
Os furacões se dividem em cinco categorias de força pela escala Saffir-Simpson. Fenômenos classificados na categoria 1 têm ventos de até 152 km/h. Tempestades com ventos entre 153 km/h e 176 km/h estão na categoria 2.
Furacões com ventos entre 177 km/h e 207 km/h são classificados na categoria 3. Foram classificados neste patamar os fenômenos Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, e matou 1.700 pessoas, e Glória, que 1985 atingiu a região da Carolina do Norte e Nova York e causou oito mortes.

Na categoria 4, os ventos têm velocidade entre 209 km e 250 km. Já os furacões classificados na categoria 5 são aqueles que registram ventos com velocidade acima de 251 km/h, de acordo com o meteorologista do Inmet.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Elefantes têm três vezes mais neurônios que o homem

http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/cerebro-elefante/

Quinta-Feira 29/05/14

Elefantes têm três vezes mais neurônios que o homem

A distribuição dessas células no cérebro do paquiderme, porém, é completamente diferente da que se observa nos seres humanos, segundo estudo da UFRJ Herton Escobar / O Estado de S. Paulo Já imaginou o que aconteceria se você tivesse um cérebro do tamanho do de um elefante, três vezes maior do que o seu? Teoricamente, [...]

A distribuição dessas células no cérebro do paquiderme, porém, é completamente diferente da que se observa nos seres humanos, segundo estudo da UFRJ
FOTO: ELEFANTES AFRICANOS EM UM ORFANATO NO QUÊNIA. CRÉDITO: REUTERS/THOMAS MUKOYA
Herton Escobar / O Estado de S. Paulo
Já imaginou o que aconteceria se você tivesse um cérebro do tamanho do de um elefante, três vezes maior do que o seu? Teoricamente, sua capacidade de memória e aprendizado seria três vezes maior. E sua inteligência, quem sabe, também.
Isso, se a composição celular do cérebro dos elefantes fosse idêntica à nossa. Mas não é.
Segundo um trabalho que acaba de ser publicado na revista Frontiers in Neuroanatomy, a composição celular do cérebro do elefante é surpreendentemente diferente da nossa.  Apesar de ser três vezes maior e ter três vezes mais neurônios do que o cérebro humano, 97,5% dos 257 bilhões de neurônios do cérebro do elefante estão concentrados no cerebelo (uma estrutura que fica na base do cérebro, associada principalmente a funções de coordenação motora e equilíbrio), enquanto que o córtex, apesar de ter o dobro da massa, tem apenas um terço do número de neurônios do córtex humano (5,6 bilhões).
“A descoberta dá força à hipótese de que as habilidades cognitivas superiores dos seres humanos, em comparação com os elefantes e outros mamíferos de cérebro grande, estão relacionadas ao maior número de neurônios no córtex cerebral, e não no cérebro como um todo”, escrevem os pesquisadores, liderados por Suzana Herculano-Houzel, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ), que utilizaram uma técnica desenvolvida no Brasil para “desconstruir” o cérebro de um elefante africano e comparar sua composição celular à de cérebros humanos. O trabalho foi desenvolvido em colaboração com Paul Manger, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.
Vale dizer que os elefantes não têm as mesmas habilidades cognitivas que nós, em termos de linguagem e raciocínio, mas são animais extremamente inteligentes e com uma “memória de elefante”, de fato, como se costuma dizer. Para um animal que tem apenas um terço dos neurônios que nós temos no córtex, eu diria que estão se saindo muito bem (melhor até do que muitos seres humanos)! Imagine só!
Para mais informações sobre a técnica usada no trabalho, veja:

domingo, 1 de junho de 2014

Médicos chineses implantam ossos fabricados com impressora em 3D

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/05/medicos-chineses-implantam-ossos-fabricados-com-impressora-em-3d.html


Agencia EFE
31/05/2014 10h39 - Atualizado em 31/05/2014 10h39

Médicos chineses implantam ossos fabricados com impressora em 3D

Tecnologia foi usada para substituir ossos afetados por tumores.
Pacientes estão se recuperando satisfatoriamente, segundo especialista.

Da EFE

Uma equipe de médicos do Hospital Xijing, que pertence ao exército da China, conseguiu implantar próteses de titânio que reproduzem ossos com a nova tecnologia de impressão em 3D, informou neste sábado (31) a imprensa oficial.
Nas cirurgias, que aconteceram na cidade de Xian, foram extraídos ossos afetados por tumores cancerígenos de três pacientes e implantadas próteses impressas.
O especialista em ortopedia Guo Zheng, que dirigiu as intervenções, explicou que as operações conseguiram resolver o problema da substituição de ossos afetados por tumores, o que é difícil com as próteses convencionais, pois elas com frequência não se adaptam a esse tipo de paciente.
Os pacientes estão se recuperando satisfatoriamente após as cirurgias, mais de dois meses após terem recebido os implantes, destacou Guo.
Pesquisadores chineses em medicina querem também construir órgãos com a técnica de impressão 3D. Ano passado especialistas da Universidade Huazhong, da província oriental de Zhejiang, afirmaram ter conseguido criar protótipos de rins humanos com esta nova tecnologia.

Saúde bucal de gestantes pode evitar parto prematuro

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/bacterias_placentarias_poderiam_moldar_a_saude_humana.html

Bactérias placentárias poderiam moldar a saúde humana

Estudo associa microrganismos na placenta à saúde bucal da mãe



Shutterstock




Antes mesmo de um bebê nascer um ecossistema microbiano se instala na placenta, criando um microbioma (microrganismos, seus genomas e as condições ambientais) que pode ajudar a moldar o sistema imune da criança e talvez influir em nascimentos prematuros. A revelação, baseada no perfil genético de centenas de placentas, oferece a prova mais definitiva até agora de que o órgão que sustenta a vida, que nutre o feto e ajuda a remover resíduos, está longe de ser estéril.

Embora a composição da microbiota humana tenha se tornado cada vez mais clara com a tecnologia do sequenciamento genético, pouco se sabe sobre o que forma as primeiras comunidades microbianasem humanos. Tambémnão se sabe quando, exatamente, um bebê é exposto pela primeira vez a esses microrganismos e colonizado por eles.

Um novo conjunto de criaturas placentárias está colocando esses microrganismos no centro das atenções e suscitando questões sobre como elas poderiam ajudar a modular a saúde humana antes do nascimento, incluindo microrganismos maternos. A equipe liderada por Kjersti Aagaard, professora de obstetrícia e ginecologia no Baylor College of Medicine e no Texas Children’s Hospital, analisa sequências genéticas de centenas de microbiomas placentários de bebês prematuros e bebês nascidos a termo. Em seguida, esses dados são comparados com um inventário existente da microbiota da pele, das vias aéreas, vaginas, intestinos e bocas de mulheres não gestantes. O trabalho foi publicado em 21 de maio na Science Translational Medicine.

A pesquisa fornece os primeiros insights sobre quais microrganismos estão presentes na placenta e de onde eles vêm. A semelhança aparente do microbioma placentário à miscelânea de microrganismos orais também reacende o debate sobre as ligações entre o papel da doença periodontal da mãe e nascimentos prematuros. Para a placenta, esse novo estudo mapeia “quais organismos estão presentes, o que eles são capazes de fazer, e como a comunidade placentária provavelmente está estruturada”, escreveram os autores. (O trabalho, no entanto, não compara diretamente a microbiota do bebê com a da mãe.)

Estudos anteriores já detalharam a composição do saco amniótico, dos intestinos de recém-nascidos na primeira semana de vida, e as primeiras fezes dos bebês, fornecendo dicas de que a microbiota pode estar agindo antes do nascimento. Ainda assim, o microbioma placentário, inclusive sua existência, manteve-se relativamente misterioso até os últimos dois anos. “A beleza desse estudo é que os cientistas não fazem apenas testes de organismos gram-negativos da placenta. Eles examinam os tipos de microrganismos presentes ao analisarem suas assinaturas de DNA o que é uma novidade”, elogia Josef Neu, um neonatologista da University of Florida. O trabalho anterior de Neu descobriu que mesmo antes de bebês ingerirem suas primeiras refeições, suas fezes já hospedam uma gama diversificada de microrganismos, sugerindo que eles desempenham um papel antes de o bebê nascer. Neu não participou desse novo estudo.

O trabalho de Aagaard constatou que amostras placentárias de 320 bebês na realidade se assemelhavam mais à comunidade de microrganismos encontrados na boca humana e não à do intestino, das fezes ou da vagina. A pergunta foi: como esses microrganismos chegam lá? Os autores teorizaram que a microbiota bucal de uma futura mãe viaja através do sangue e entra na placenta, derrubando uma teoria anterior que sugere que microrganismos na placenta e na cavidade amniótica se originam na vagina. “Existem muitas pistas sobre a biologia e o desenvolvimento a serem desvendadas e detalhes ainda não investigados, e a placenta com certeza tem muitos deles”, admite Aagaard. “A biologia da gravidez sem dúvida é importante se quisermos entender a saúde da próxima geração”, acrescenta.

Embora trabalhos anteriores tenham sugerido que a doença periodontal de uma mãe pode levar a problemas de saúde em seu bebê, os esforços para tratar essa condição em gestantes não reduziu o número de nascimentos prematuros. De acordo com Aagaard, sua nova pesquisa ajuda a esclarecer por que essas intervenções não funcionaram. “Mesmo no primeiro ou segundo trimestre de gestação o microbioma já está bem estabelecido”, explica. Quando se trata de atendimento odontológico para mulheres antes da gravidez, “Seria realmente interessante considerar a prevenção primária e não um tratamento secundário”, salienta ela, lembrando que a saúde bucal deveria ser parte do tratamento padrão para mulheres antes da gravidez.

Além de traçar ligações com microrganismos bucais maternos, esse estudo também catalogou complexas diferenças entre o microbioma placentário de bebês ligeiramente prematuros, nascidos entre a 34ª e 37ª semana, e crianças que nasceram a termo. (Nascimentos prematuros em torno do período mencionado são mais comuns que os muito antecipados, por exemplo, na 27ª semana). “Não sabemos se as diferenças provocam nascimentos prematuros, mas sabemos que elas estão associadas a eles e que são um bom indicador para partos prematuros”, observa Aagaard.

As diferenças incluíram uma prevalência maior de microrganismos que normalmente controlam fungos em bebês prematuros. De modo geral, o trabalho concluiu que o único microrganismo predominante em placentas foi a Escherichia coli, uma bactéria fortemente associada à sepse ou sépsis em prematuros. “O levantamento metagenômico (a coleção de genomas e genes dos membros da microbiota) sozinho pode descrever as comunidades microbianas presentes, mas o contexto clínico e avançadas análises de inferência serão necessários para entender os fatores que afetam a composição da comunidade”, salientam os autores.

Infecções do trato urinário no início da gravidez também podem alterar o microbioma placentário sugere o estudo. Os pesquisadores constataram uma diferença na composição do microbioma entre mulheres que tiveram essas infecções e as que não as tiveram, mas o estudo não respondeu se a própria infecção ou os antibióticos utilizados no tratamento podem ter causado a variação. Além disso, ainda não está claro como essa mudança no microbioma pode ter impactado a saúde fetal ou um nascimento prematuro.

Outro dado interessante da análise é que, independente de os bebês nascerem através de uma cesariana ou se desceram pelo canal de nascimento (passando pelo “corredor” de bactérias locvais), a composição do microbioma placentário parecia ser mais ou menos o mesmo. Isso indica que, pelo menos para a placenta, o tipo de parto não altera sua comunidade microbiana. A descoberta não responde como esse método impacta um bebê, porque ele normalmente engoliria líquido amniótico e microrganismos ao longo do canal de nascimento durante o parto.

Com o novo perfil do microbioma placentário “não sabemos o que é causa e efeito. Descobrir isso envolverá um estudo longitudinal de amostras muito mais longo e contínuo”, confessa Aagaard. Como próximo passo, sua equipe pretende se aprofundar ainda mais na busca de respostas para muitas questões, inclusive como cesarianas influenciam mibrobiomas infantis em comparação com partos naturais.

Imagem: Cortesia de V. Altounian/Science Translational Medicine

Sciam 21 de maio de 2014

sciambr 27mai2014

Resistência a antibióticos se propagou ao redor do globo. Ineficácia de medicamentos ameaça reverter um século de avanços médicos.

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/resistencia_a_antibioticos_se_propagou_ao_redor_do_globo.html

Resistência a antibióticos se propagou ao redor do globo

Ineficácia de medicamentos ameaça reverter um século de avanços médicos



Shutterstock


Por Dina Fine Maron

Perigosas bactérias resistentes a antibióticos e outros patógenos agora estão presentes em todas as partes do mundo e ameaçam reverter um século de avanços médicos. Essa é a mensagem da Organização Mundial de Saúde (OMS) em seu primeiro relatório global sobre o crescente problema. O documento baseou-se em dados de resistência a medicamentos obtidos em 114 países.

“Longe de ser uma fantasia apocalíptica, uma era pós-antibióticos, em que infecções comuns e pequenas lesões podem matar, na realidade, é uma possibilidade muito real para o século21”, escreveu Keiji Fukuda, diretor-geral assistente da OMS para Segurança da Saúde, na introdução do relatório. A crise é fruto de décadas de dependência excessiva desses remédios e práticas relaxadas de prescrição, além do uso rotineiro desses medicamentos na criação de animais, o relatório frisou.

A resistência a antibióticos está colocando pacientes em risco tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, à medida que bactérias responsáveis por diversas infecções perigosas desenvolvem resistência às substâncias que costumavam combatê-las.

A gonorreia, antes tratada com sucesso com antibióticos, voltou a ser uma grande ameaça à saúde pública devido ao surgimento de novas cepas resistentes. Medicamentos antes considerados tratamentos de “último recurso” para a doença sexualmente transmissível, atualmente são terapias de primeira linha e, de vez em quando, se mostram ineficientes em pacientes de países como o Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Japão, Noruega, África do Sul, Eslovênia e Suécia. Se não for tratada, a gonorreia pode levar à infertilidade e à cegueira, além de aumentar as chances de transmissão do HIV.

Medicamentos para o tratamento de Klebsiella pneumoniae, uma bactéria intestinal comum que pode causar infecções gravíssimas, ou até fatais, em recém-nascidos e pacientes que se encontram em unidade de terapia intensiva, já não funcionam em mais de 50% dos pacientes em alguns países. E as fluoroquinolonas, indicadas para tratar infecções do trato urinário, também são ineficazes em mais da metade das pessoas afetadas em muitas partes do mundo. Esforços para limitar a propagação da tuberculose multirresistente, da malária e do HIV também estão sob ameaça devido à crescente resistência bacteriana.

Embora o desenvolvimento de resistência seja esperado ao longo do tempo, o uso excessivo de antibióticos acelerou esse processo, ao exercer uma pressão seletiva adicional, salientou o relatório, elaborado por uma extensa equipe de pesquisadores da OMS. O problema é que existem poucas opções para substituir os remédios que se tornaram ineficientes: a última classe inteiramente nova de medicamentos antibacterianos foi descoberta há 27 anos, de acordo com a avaliação.

A OMS adverte que a situação poderia ter vastos efeitos na medicina, economia e nas sociedades globais a menos que sejam tomadas medidas urgentes em todo o mundo. Uma escassez de antibióticos eficientes significa que pacientes infectados necessitarão de cuidados mais extensivos, permanências mais longas em hospitais, além do fato de que eles morrerão em maior número.

Para lidar com o problema, a OMS pede ações globais coordenadas em uma escala igual às que as nações do mundo estão tomando para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas.

O relatório recomenda uma abordagem de múltiplas frentes. De acordo com a organização, em muitos casos testes de diagnósticos disponíveis já podem ser usados para ajudar a identificar as bactérias que provocaram uma infecção, permitindo que médicos optem por tratamentos com medicamentos mais específicos (direcionados), em vez de recorrer a remédios de amplo espectro, que agravam a resistência. O problema é que como esses testes são demorados, os médicos que receitam uma terapia muitas vezes abrem mão deles, preferindo o caminho mais curto das drogas de amplo espectro. Portanto, desenvolver testes mais rápidos é fundamental, conclui o relatório. A OMS também propõe um foco renovado, e métodos padronizados, para rastrear cepas resistentes em todo o mundo. Atualmente não há um consenso global quanto à metodologia e coleta de dados nessa área.

Além disso, existem soluções cotidianas essenciais que comunidades e médicos deveriam adotar; inclusive melhores práticas de higiene por parte dos atendentes de saúde, como lavar as mãos com mais frequência e vacinar populações contra certas doenças para reduzir a necessidade de antibióticos. Os pacientes também têm um papel vital a desempenhar ao tomarem antibióticos somente quando forem receitados, observou a entidade.

A avaliação reuniu informações sobre nove bactérias particularmente problemáticas de 114 países que rastreiam dados sobre pelo menos um dos microrganismos e antibióticos utilizados para tratá-los.

Embora limitado por lacunas significativas de dados, o relatório salientou que no caso de muitas dessas bactérias, os níveis de resistência a medicamentos de primeira linha atingiram 50% ou mais em pelo menos metade dos países analisados. Como resultado, os prestadores de cuidados de saúde são obrigados frequentemente a recorrer a medicamentos de último recurso. “A dimensão disso é aterrorizadora. Esse é um problema massivo de saúde pública que está apenas começando a borbulhar para a superfície”, declara Brad Spellberg, professor associado de medicina do Instituto Los Angeles de Pesquisa Biomédica em Harbor–Centro Médico da U.C.L.A (Universidade da Califórniaem Los Angeles). À medida que o uso global de medicamentos de último recurso aumenta, a resistência a eles também acelera, agravando a crise. O relatório da OMS ressalta que, com menos opções de remédios, pacientes que vivem na pobreza ou não têm seguro-saúde não têm onde buscar tratamentos eficazes.

“Já estamos observando isso”, admite Stuart Levy, diretor do Centro de Adaptação Genética e Resistência a medicamentos da Tufts University School of Medicine, que ajudou na elaboração do relatório da OMS. “Em Uganda, tivemos um pneumococo multirresistente que estava sendo tratado com medicamentos recomendados para doenças respiratórias, mas as bactérias já eram 90% resistentes”. Nesse cenário, não havia remédios alternativos prontamente disponíveis.

Sciam 30 de abril de 2014

sciambr06mai2014

Comportamento individualista ou comunitário na China depende da tradição agrícola de origem

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/rizicultura_incentiva_coletivismo_.html

Rizicultura incentiva coletivismo?

Comportamento individualista ou comunitário na China depende da tradição agrícola de origem


Hung Chung Chih/Shutterstock

Cultura de arroz: Antigas práticas agrícolas, como o trabalho coletivo nas lavouras de arroz alagado na província chinesa de Anhui, retratada aqui, ainda podem influenciar a cultura moderna de acordo com uma nova pesquisa.

© Michael Battaglia


A rizicultura ainda molda as personalidades de pessoas no sul da China, de acordo com uma nova pesquisa de um grupo de psicólogos.

A cooperação necessária para plantar, cultivar e colher o arroz plantado em campos alagados faz com que os nascidos na China meridional pensem mais em termos comunitários que os originários do norte do país, onde a principal cultura é o trigo, mais fácil de manejar.

O estudo propõe ajudar a explicar por que algumas culturas asiáticas continuam sendo mais comunitárias apesar de enriquecerem tanto quanto seus pares europeus mais individualistas.

“Rizicultores formam intercâmbios de trabalho cooperativo, e os sistemas de irrigação criam dilemas comuns que os aldeões têm que resolver; coisas como dragar os canais comuns e coordenar os períodos de alagamento”, explica o psicólogo cultural em treinamento Thomas Talhelm, que liderou o estudo e atualmente está concluindo seu PhD na University of Virginia. “Eu me propus a testar pessoas de toda a China para verificar se as diferenças culturais que eu tinha observado in loco se encaixavam nos contornos históricos da rizicultura e da triticultura no país”.

O estudo surgiu do tempo que Talhelm passou lecionando na cidade de Guangzhou, no sul. Ali ele constatou que as pessoas evitavam conflitos. “Quando eu estava em um corredor estreito do meu supermercado local e as pessoas inevitavelmente esbarravam em mim, notei que elas ficavam tensas, olhavam para o chão e seguiam adiante discretamente”, relembra.

Quando se mudou para Pequim, no norte, Talhelm teve uma experiência muito diferente, sendo inclusive elogiado por um curador de museu por sua habilidade em falar mandarim em detrimento direto de seu colega de quarto que também tentava se comunicar nesse dialeto. “Ainda acho que não falei com ele (o colega) sobre isso”, confessa Talhelm. “Parecia que as pessoas do norte eram mais bruscas, mais diretas”.

Como parte de seus estudos de psicologia nos Estados Unidos, Talhelm decidiu investigar se as diferentes necessidades agrícolas da China antiga se refletiam em diferenças culturais atuais entre o norte e o sul do país.

Para isso, ele e uma equipe de colegas asiáticos entrevistaram cerca de 1.200 estudantes universitários chineses do maior grupo étnico chinês: os han. Os estudantes da etnia han foram selecionados em seis províncias que se estendem de norte a sul: Liaoning, Pequim, Sichuan, Yunnan, Fujian e Guangdong.

Resumindo, os pesquisadores constataram que “as pessoas de províncias com uma porcentagem maior de terras dedicadas à rizicultura pensavam de modo mais holístico”, de acordo com o artigo divulgado na publicação científica Science em 9 de maio. 

Pare por um momento e faça você mesmo o teste. Sem pensar muito, associe os dois itens que se complementam nessa lista: ônibus, trem, trilhos. 

Se você escolheu ônibus e trem, porque os dois são veículos, então, de acordo com psicólogos sociais, você favorece combinações “abstratas” ou “analíticas”. Pessoas de culturas mais modernas e individualistas preferem essa escolha. Psicólogos apelidaram esse grupo WEIRD (sigla em inglês para Western, Educated, Industrialized, Rich and Democratic). [Ocidental, educado, industrializado, rico e democrático].

Se, por outro lado, você escolheu trem e trilhos porque um trem viaja sobre trilhos, então você favorece combinações “relacionais” ou “holísticas”, um estilo de pensamento que também abarca a contradição, de acordo com psicólogos.

Os universitários chineses não responderam apenas uma, mas oito pergunta desse tipo (como esse outro conjunto alternativo de três: cenoura, cachorro e coelho) juntamente com 12 perguntas aleatórias destinadas a impedir os participantes de adivinhar o que os psicólogos estavam testando especificamente.

Os resultados foram medidos e apresentaram uma pontuação percentual que refletiu respostas mais analíticas (0%) ou totalmente holísticas (100%) de acordo com o sexo, porque mulheres em geral pensam de forma mais holística que homens.

Independentemente de onde os estudantes viviam (por exemplo, um jovem de Fujian que atualmente estudava em Pequim), homens e mulheres que cresceram em áreas tradicionais de rizicultura pensavam de forma mais holística. 

Talhelm e seus colegas também verificaram a descoberta com outras tarefas.

Eles pediram, por exemplo, que alguns participantes do estudo desenhassem um diagrama de uma pessoa e seu grupo de amigos, em que cada pessoa deveria ser representada por um círculo; uma tarefa conhecida como sociograma. Pessoas procedentes de províncias de rizicultura mostraram-se mais propensas a se desenhar em uma escala menor que seus amigos (como fazem os japoneses, de acordo com uma pesquisa anterior).

Em comparação, os círculos pessoais de indivíduos originários de províncias produtoras de trigo eram aproximadamente 1,5 milímetro maiores que os de seus amigos, o que se compara aos europeus que se representam em círculos 3,5 milímetros maiores e aos americanos, cujos círculos pessoais são, em média, 6 milímetros maiores.

Outro teste mediu a lealdade de 166 jovens universitários chineses de todo o país.

Imagine um negócio que envolva uma das seguintes possibilidades: um amigo honesto, um amigo desonesto, um estranho honesto ou um estranho desonesto.

A desonestidade faz com que a transação “azede”, enquanto a honestidade leva à prosperidade. No fim, os participantes tinham que determinar uma soma para recompensar ou multar seus parceiros, usando um pouco de seu próprio dinheiro.

Os voluntários das províncias rizícolas se mostraram menos propensos a punir seus amigos por desonestidade que os participantes de províncias tritícolas. “O verdadeiro mistério desse estudo é como a rizicultura é repassada em um grupo social”, observa Talhelm, salientando que ela persiste mesmo quando a maioria das pessoas para de cultivar arroz diretamente. “São os valores? A educação dada pelos pais? A escolaridade? As instituições? Suspeito que seja é um pouco de tudo isso”.

Essa teoria da “cultura de arroz” pretende explicar as diferenças entre o grupo WEIRD e o Oriente; ou por que o Japão, a Coreia do Sul e a China meridional, entre outras partes da Ásia permanecem menos individualistas que seus pares modernos na Europa, apesar de níveis semelhantes de desenvolvimento econômico, acesso à internet ou empregos no setor da indústria privada (em oposição a um sistema comunista).

Províncias historicamente dedicadas à rizicultura parecem ter índices mais baixos de divórcios que as tradicionalmente empenhadas na triticultura, o que constitui mais evidências a favor da ideia. Além disso, os chineses han de províncias tritícolas também mantiveram uma vantagem no número de patentes para novas invenções no ano 2000, embora as estatísticas de 2010 pareçam indicar que essa diferença entre as províncias desapareceu.

Se for verdade, a cultura de arroz também deveria ser encontrada (além de ajudar a explicar diferenças) em pessoas originárias de lugares como a Indonésia ou a África Ocidental, que têm divisões similares.

Talhelm diz que também encontrou diferenças culturais semelhantes em pessoas de regiões rizícolas na Índia.

Do mesmo modo, a prevalência da triticultura talvez explique por que razão culturas europeias são tão WEIRD, observou o psicólogo Joseph Henrich, da University of British Columbia, no Canadá, em uma perspectiva sobre o estudo também publicada na edição de 9 de maio da Science. Em outras palavras, o W em WEIRD pode não significar “ocidental”, mas “trigo” (wheat, em inglês).

Não está claro, porém, se a cultura de arroz persistirá à medida que mais e mais chineses se aglomeram em cidades e perdem qualquer conexão com o cultivo de arroz (ou de trigo).

Na atual situação, o estudo de Talhelm e seus colegas mostrou que a cultura de arroz persistiu independente de as pessoas cresceram no campo ou em uma cidade grande. Em outras palavras, as antigas práticas agrícolas talvez moldem o pensamento dos descendentes modernos que vivem em uma cidade esparramada e lotada. Ou, como afirma Talhelm: “a maioria dos meus amigos chineses me disse que as descobertas combinam com suas experiências na China”.

Sciam 12 de maio de 2014

sciambr13mai2014